O jejum intermitente 4:3 promove maior perda de peso após 12 meses em comparação à restrição calórica diária


Por muitos anos, a restrição calórica diária (RCD) foi considerada a abordagem padrão para perda de peso. No entanto, a dificuldade em manter essa prática no longo prazo levou pesquisadores a investigarem estratégias alternativas, como o jejum intermitente. Um estudo publicado em abril de 2025 no Annals of Internal Medicine traz evidências importantes sobre a eficácia do chamado jejum intermitente 4:3 — no qual o indivíduo reduz drasticamente a ingestão calórica em três dias não consecutivos por semana — em comparação direta com a tradicional RCD, dentro de um programa comportamental de perda de peso intensivo.


O estudo em foco

O ensaio clínico randomizado, denominado DRIFT (Daily Caloric Restriction vs Intermittent Fasting Trial), foi realizado com 165 adultos entre 18 e 60 anos com sobrepeso ou obesidade (IMC entre 27 e 46 kg/m²), todos residentes na área metropolitana de Denver, nos Estados Unidos. Os participantes foram divididos em dois grupos:

  • Grupo 4:3 IMF (Jejum Intermitente Modificado): restrição calórica de 80% em três dias não consecutivos por semana e alimentação livre nos outros quatro dias;
  • Grupo RCD (Restrição Calórica Diária): redução diária de 34% na ingestão calórica, equivalente ao déficit semanal do grupo de jejum.


Ambos os grupos receberam o mesmo suporte comportamental: sessões regulares com nutricionistas, recomendações de atividade física (300 minutos por semana) e foco em escolhas alimentares saudáveis.


Resultados principais

Após 12 meses, os resultados foram claros: o grupo 4:3 IMF apresentou uma perda de peso média de 7,7 kg, enquanto o grupo RCD perdeu em média 4,8 kg — uma diferença estatisticamente significativa de 2,89 kg. Além disso:

  • 58% dos participantes do grupo de jejum perderam pelo menos 5% do peso corporal, contra 47% no grupo RCD;
  • 38% do grupo 4:3 IMF perdeu 10% ou mais do peso inicial, em comparação a apenas 16% no grupo RCD.


A composição corporal também favoreceu o jejum intermitente, com maior redução de massa gorda e circunferência abdominal, embora com leve perda de massa magra, algo comum em dietas de emagrecimento.


Comportamento alimentar e adesão

Um dos grandes destaques do estudo foi a maior adesão ao protocolo de jejum. Os participantes do grupo 4:3 IMF conseguiram manter uma maior restrição calórica ao longo das 52 semanas do que os do grupo RCD, apesar de ambos estarem abaixo da meta teórica de 34,3%. Isso sugere que o jejum em dias alternados pode ser mais sustentável para muitas pessoas, talvez por permitir dias de alimentação livre e diminuir a sensação constante de privação.


Outro ponto relevante foi a melhora nos escores de compulsão alimentar no grupo 4:3 IMF, indicando que o jejum intermitente não apenas não piorou, como pareceu beneficiar o comportamento alimentar de muitos participantes.


Segurança e limitações

O jejum intermitente foi bem tolerado, com poucas reações adversas leves relacionadas à dieta e nenhuma desistência causada por eventos adversos. O índice de abandono foi menor no grupo de jejum (19%) em comparação ao RCD (29,6%).


Contudo, o estudo apresenta limitações: a maioria dos participantes era branca e do sexo feminino, o que limita a generalização para outras populações. Além disso, os resultados estão restritos ao contexto de um programa de suporte comportamental de alta intensidade — que pode não estar amplamente disponível fora de centros de pesquisa ou clínicas especializadas.


Considerações finais

A pesquisa reforça que o jejum intermitente no modelo 4:3 é uma abordagem eficaz para perda de peso e pode superar a restrição calórica diária em termos de resultados e adesão, especialmente quando combinado com apoio comportamental estruturado. Para profissionais de saúde, essa estratégia representa uma alternativa viável e segura para pacientes com sobrepeso ou obesidade, dentro de uma abordagem personalizada.

Embora não seja uma solução mágica, o jejum 4:3 surge como uma ferramenta promissora no arsenal terapêutico contra a obesidade — desde que aplicado com orientação e em contextos apropriados.

Fonte: https://doi.org/10.7326/ANNALS-24-01631

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