Os regimes de jejum intermitentes reduzem a inflamação gengival: um ensaio clínico de três braços


O estudo publicado no Journal of Clinical Periodontology investigou os efeitos de diferentes regimes de jejum intermitente na inflamação gengival, um problema comum que pode levar a doenças mais graves como a periodontite. O experimento clínico envolveu 66 participantes saudáveis, divididos em três grupos distintos. O primeiro grupo seguiu o jejum seco Bahá'í (BF), abstendo-se de comida e bebida durante o dia. O segundo grupo adotou a alimentação restrita ao período de 8 horas (TRE), um método conhecido como jejum 16:8. O terceiro grupo, controle (CG), manteve seus hábitos alimentares normais. Para simular um ambiente propício à inflamação gengival, todos os participantes foram orientados a interromper a higiene bucal em um segmento específico da boca por 9 dias. Após esse período, retomaram a limpeza oral e foram acompanhados por mais 10 dias.

Os resultados foram claros: os participantes que seguiram o jejum seco Bahá'í apresentaram um aumento significativamente menor na inflamação gengival, medida pelo sangramento à sondagem (BOP_s), em comparação com o grupo controle. Além disso, os níveis de fluido gengival inflamatório (GCF) aumentaram apenas no grupo controle, enquanto permaneceram estáveis nos grupos de jejum. Isso sugere que o jejum pode ter um efeito anti-inflamatório na gengiva, mesmo quando há acúmulo de placa bacteriana devido à ausência de higiene bucal.

Outro aspecto analisado foi o impacto metabólico do jejum. O grupo BF apresentou uma redução significativa no peso corporal e na pressão arterial, além de uma diminuição dos níveis de proteína C-reativa (CRP), um marcador de inflamação no organismo. O grupo TRE também apresentou algumas melhorias metabólicas, mas em menor grau. O grupo controle não mostrou mudanças significativas nesses parâmetros.

Os pesquisadores destacam que o jejum intermitente pode ser uma estratégia complementar interessante para a manutenção da saúde bucal e metabólica, especialmente em pessoas predispostas à inflamação gengival. No entanto, apontam que o estudo tem algumas limitações, como a aleatorização dos grupos e variações individuais que podem ter influenciado os resultados.

Em conclusão, os achados sugerem que o jejum intermitente pode trazer benefícios à saúde bucal ao reduzir a inflamação gengival, possivelmente devido a seus efeitos sobre o metabolismo e a resposta inflamatória do organismo. Entretanto, mais pesquisas são necessárias para entender melhor os mecanismos envolvidos e avaliar os impactos desse tipo de intervenção a longo prazo.

Fonte: https://bit.ly/3RajAti

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